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29 Mai 25

PLR, TELETRABALHO E SMS: MESA PROPÕE FÓRUM UNITÁRIO E CRITICA DIREÇÃO DA PETROBRAS E DAS FEDERAÇÕES

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A segunda mesa do 29º Congresso Regional do Sindipetro AL/SE reuniu os dirigentes Gustavo Maurilo e Eduardo Henrique, do Sindipetro RJ, para debater os principais desafios do próximo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da Petrobras, com foco nas pautas de PLR, SMS e teletrabalho, além de questões estratégicas sobre a atuação sindical.
A apresentação teve início com o lançamento da campanha “Fora Mais do Mestre”, incorporada pelas delegações ao trabalho na CPI interna, como forma de denunciar o conjunto de ataques impostos pela atual gestão da Petrobras. Foi criticada a “caixinha de maldades” aplicada aos trabalhadores da ativa e aposentados, enquanto os acionistas seguem intocados, recebendo lucros bilionários.
Segundo os palestrantes, a Petrobras tem mantido como meta principal a geração de lucros e distribuição de dividendos, colocando os interesses do mercado acima de sua missão pública. Foi feito um paralelo com governos anteriores, em que, segundo os debatedores, “banqueiros e acionistas nunca foram tão felizes”.
Um dos pontos altos da discussão foi a referência à paralisação de 24 horas realizada no Rio de Janeiro, que contou com o apoio de organizações internacionais, marcando a resistência dos petroleiros frente aos retrocessos. A mobilização também cobrou investigações rigorosas sobre acidentes — inclusive fatais — em unidades da companhia, como parte da luta por condições seguras de trabalho.
No campo das reivindicações do ACT, foram defendidas a abertura de novos concursos públicos, a criação de um cadastro de reserva, a inclusão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) como cláusula permanente, e a regulamentação do teletrabalho, tema cada vez mais presente no cotidiano dos trabalhadores.
Os dirigentes também abordaram a importância de um posicionamento crítico e independente em relação ao governo federal, reconhecendo os limites do atual governo Lula e do PT. “É o menos pior frente à extrema-direita, mas não podemos abrir mão da autonomia de classe”, reforçaram, alertando para o risco de retrocessos caso faltem mobilização e organização sindical autônoma.
A mesa trouxe ainda reflexões sobre a unidade sindical. Embora defendam a construção de uma mesa única de negociação, os representantes do Sindipetro RJ questionaram a falta de clareza sobre o funcionamento, os critérios de representatividade e a condução do processo de unificação. Para eles, a direção da FUP tem sido um dos principais obstáculos à construção dessa unidade, e a dissolução da FNP “não pode ser automática, nem meramente simbólica”. É necessário um debate profundo sobre o modelo de organização sindical que se quer construir.
O dirigente Gustavo Maurilo trouxe um enfoque contundente na área de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS), defendendo uma abordagem anticapitalista da segurança do trabalho, inspirada nos conselhos de fábrica italianos. Ele criticou a visão conciliadora do “ganha-ganha” que, segundo ele, mascara as relações de dominação de classe, e destacou a importância de atacar as causas estruturais do adoecimento físico e mental dos trabalhadores.
A apresentação também situou os desafios do movimento sindical no contexto da atual crise econômica, política, ambiental e de hegemonia global. Foi defendido que a transição energética justa deve ser o ponto de partida para a construção de alternativas ao modelo capitalista de exploração e destruição.
Encerrando a mesa, os palestrantes fizeram um chamado à criação de um fórum unitário e democrático, que articule petroleiros da Petrobras e trabalhadores do setor privado, com democracia interna, metas claras e mobilização real da base. “Sem base mobilizada, não há ACT vitorioso. É preciso reconstruir nossa força com independência e ousadia”, afirmaram.