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02 Mar 26

PETROBRAS VOLTA AO TOPO DA AMÉRICA LATINA, MAS RIQUEZA GERADA PRECISA REFLETIR NO DIREITO DOS TRABALHADORES

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Sindipetro AL/SE: Petrobras volta ao topo da América Latina, mas riqueza gerada precisa refletir nos direitos dos trabalhadores e aposentados


A Petrobras recuperou, em 2026, o posto de maior empresa em valor de mercado da América Latina, alcançando aproximadamente US$ 100,9 bilhões, segundo dados da consultoria Elos Ayta. A estatal brasileira superou novamente concorrentes como Mercado Livre e Itaú Unibanco, reafirmando sua importância estratégica no cenário econômico regional. Esse resultado vem após a petroleira adicionar cerca de US$ 26,3 bilhões ao seu valor de mercado desde o fim de 2025, movimento que reposiciona a companhia como líder no ranking latino-americano depois de ter sido superada pelo Mercado Livre em 2024.  

Esse marco reafirma que a Petrobras continua sendo um dos principais ativos econômicos do país e um símbolo da capacidade produtiva brasileira, com forte influência nos setores de energia e no mercado financeiro. No entanto, para o Sindipetro AL/SE, esse crescimento não pode ser celebrado isoladamente se a riqueza gerada não for compartilhada de forma justa com quem efetivamente constrói os resultados da empresa: os trabalhadores e trabalhadoras petroleiras, ativos e aposentados.

O ACT: avanços, limites e desafios

Nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025-2027, a categoria conquistou, após intensa mobilização e greve, um acordo que resultou na assinatura e vigência do novo ACT. O Acordo Coletivo conquistado já começou a vigorar em janeiro de 2026, com reajustes salariais e benefícios que refletem parte das reivindicações históricas da base trabalhadora.  

Entretanto, desde o início da campanha salarial, a postura da gestão da Petrobras nas negociações foi alvo de crítica de sindicatos. A empresa chegou a apresentar propostas consideradas insuficientes, com reajustes apenas pela inflação sem ganho real acima dela, e com tentativas de alterações que poderiam significar retrocessos em direitos históricos.  

Em rodadas anteriores, os sindicatos protestaram contra contrapropostas que apenas recompunham a inflação sem garantir ganho real compatível com os lucros e distribuição de riqueza da companhia, levando a ampla mobilização da categoria em 2025. Esse cenário reforça a crítica de que a empresa prefere priorizar acionistas e mercados financeiros em detrimento da valorização integral de sua força de trabalho.

A questão dos aposentados e dos PEDs

Outro ponto central nas lutas sindicais, especialmente para o Sindipetro AL/SE, é a situação dos aposentados e pensionistas, especialmente em relação aos Programas de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, fundo de pensão da Petrobras. Esses equacionamentos foram implantados nos últimos anos e têm penalizado aposentados com descontos que, em muitos casos, consomem grande parte de seus proventos, comprometendo sua renda e dignidade após décadas de trabalho.  

O sindicato reforça que a questão dos PEDs não pode mais ser empurrada para os aposentados, uma vez que esses déficits decorrem de gestões e equacionamentos que fogem ao controle dos participantes do plano. A luta sindical segue firme pela correção desse modelo de forma que não penalize os aposentados, pela recomposição justa de perdas e pela defesa dos direitos desses trabalhadores.  

Riqueza compartilhada: um imperativo

A retomada da Petrobras como líder em valor de mercado é um indicativo de que o setor energético e as políticas corporativas da companhia podem gerar riqueza significativa. Mas, para o Sindipetro AL/SE, isso precisa se traduzir em reconhecimento real aos trabalhadores e aposentados responsáveis por boa parte dessa geração de valor.

Uma empresa que alcança tal posição de destaque não pode, ao mesmo tempo, manter seus empregados e aposentados numa situação de permanente luta por direitos básicos e recomposição salarial adequada. O crescimento e os lucros expressivos da Petrobras precisam ser refletidos em condições dignas de trabalho, saúde, segurança, remuneração e aposentadoria, com um ACT que respeite os anseios da categoria e medidas concretas que garantam justiça social no interior da estatal.

O Sindipetro AL/SE reafirma seu compromisso de acompanhar de perto as negociações, lutar por um ACT digno e construir políticas que garantam que o futuro da Petrobras seja, de fato, um futuro de prosperidade compartilhada com a classe trabalhadora que produz seus resultados todos os dias.


SINDIPETRO AL/SE
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